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Minha história
Conheci o Bart via internet em 2001,
enquanto me recuperava de uma cirurgia e, em licença médica, passava horas e
horas na internet.
Conversamos por mais de um ano até que apareceu a oportunidade de eu vir à
Europa visitar um fornecedor e, finalmente, conhecê-lo. O plano inicial era
irmos à Paris, passar pela Bélgica e voltarmos à Holanda para que eu fizesse
a tal visita ao fornecedor e, claro, conhecesse um pouco mais do país, já
que eu conhecia apenas Amsterdam. Como nunca acreditei em namoros virtuais
já tinha um “plano de fuga”, caso algo desse errado.
Mas deu tudo certo. Nos encontramos no aeroporto, começamos a ficar juntos /
namorar no mesmo dia, fomos à Paris, Brugge e passeamos bastante pela
Holanda. A despedida foi horrorosa, dramalhão mexicano, e de bom, somente a
certeza do próximo encontro em Dezembro.
Quando cheguei ao Brasil, trabalho dobrado na empresa por conta de mais um
“facão”, a construtora do meu apartamento pediu concordata e meus pais
resolveram se divorciar. Um caos. E quem eu mais precisava naquele momento
estava tão longe...
Precisávamos tomar uma decisão. É óbvio que eu queria namorar como todo
mundo, 2 ou 3 anos antes casar, fazer enxoval ( que coisa brega ), conhecer
melhor o namorado, mas será que depois de 2 anos, nos vendo 2 ou 3 vezes por
ano eu o conheceria tão melhor assim? Nossa vida estava passando pela janela
e a gente queria estar junto. Bart então surgiu com a idéia de casarmos.
Embora eu não veja muita diferença prática entre morar junto ou casar, achei
que o casamento traria um pouco mais de tranquilidade ( ainda que ilusória )
para a minha família e mostrava ainda que ele estava realmente, assim como
eu, levando nosso relacionamento muito a sério. A grande mudança não era
casar em si, mas ter coragem para deixar para trás a família, os amigos, o
emprego bem sucedido, enfim, tudo o que me dava tanta segurança.
Depois de muita burocracia para marcar o casamento que seria realizado no
Brasil, aderi a um pacote de demissão voluntária na empresa e fiquei
esperando a chegada do Fofo-boyfriend ( posteriormente “upgraded” à
Fofo-husband ). Ele chegou dia 13 de Dezembro, viajamos de lua-de-mel (
antes do casamento ) e casamos dia 27 de Dezembro. O próximo passo era dar
entrada no meu visto.
O visto para a Holanda demora de 3 a 12 meses, e o detalhe ( doloroso ) é
que o candidato a imigrante tem que esperar por ele no seu próprio país, e
como o Bart tinha que voltar ao trabalho, ficamos 4 meses separados. É uma
das fases mais deprimentes do processo, você “casadinha de nova” sozinha no
Brasil e ele aqui na Holanda amargando um invernão brabo.
Nestes meses de espera, principalmente para quem como eu sempre trabalhou, e
de repente se vê com todo aquele tempo ocioso, a gente fica lá sonhando com
a nova vida. Acho que todo recém casado “viaja na maionese”, né? Embora eu
tivesse algumas informações sobre a vida e adaptação de brasileiras na
Holanda, a gente quer sempre pensar que tudo serão flores, que logo eu
estaria trabalhando, aprenderia rapidinho o idioma, faria mil novos
amigos... Caí do burro! Cheguei e logo caí na burocracia para iniciar o tal
curso de Holandês. A espera por uma vaga durou quase 10 meses. Emprego então
nem se fala. Embora a crise de desemprego não esteja tão feia ( para os
holandeses natos ) como gostam de falar, aliada a uma onda recente ( será
recente mesmo? ) de preconceito contra estrangeiros, acabei indo a várias
entrevistas que deram em nada. Quero acreditar que as coisas irão melhorar
quando eu estiver falando melhor holandês. As aulas são boas, mas o idioma é
mais difícil de aprender do que eu imaginava. O inverno, esses 5 meses
malditos sem ver o sol, apesar de não ser rigoroso é deprimente demais. E a
saudade da família é algo indescritível.
Mas é claro que esta história tem seu lado bom, ou eu não estaria mais aqui.
A Holanda é um país gostoso de se morar. Os holandeses não são tão “secos”
como os vizinhos alemães, é um país bem seguro, sua posição geográfica
facilita viagens por toda a Europa ( e eu aaaaamo viajar ). Apesar de toda a
burocracia, o governo te dá uma certa assistência no processo de adaptação,
pagando o curso de holandês, ajudando na validação do seu diploma, dando uma
ajuda de custo ( quase simbólica ) no primeiro ano.
Reclamando ou elogiando meu novo país, vou levando. Meu maridinho está aqui,
e aqui é agora meu novo lar. Ainda vai levar um tempo para eu dizer que
minha vida está “nos eixos”, mas eu tenho certeza de que este dia vai
chegar. Até lá, vou contando aqui no meu blog as aventuras e desventuras.
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